Novo teste de saliva PCR-LAMP para Covid-19 é eficaz?

Uma nova modalidade de testes para detecção da Covid-19 acaba de chegar ao consumidor brasileiro de forma mais abrangente. Trata-se do método PCR-LAMP (sigla em inglês para “Amplificação Isotérmica Mediada por Loop”), que permite identificar RNA (código genético) do vírus na amostra de pessoas infectadas durante a fase ativa do vírus e cujo diferencial é ser menos invasivo em comparação ao RT-PCR tradicional, pois é realizado coletando-se do paciente uma amostra da saliva - em contra ponto ao famigerado swab de nasofaringe em amostras respiratórias. O teste, que tem sido disponibilizado para venda em algumas farmácias, dá a alternativa para que o paciente faça a sua própria coleta do material, já que esta técnica de biologia molecular possui algumas particularidades que permitem essa praticidade.


No começo do ano, o publicitário Tadeu T. Tomasine, 32, precisou realizar o teste como parte do check-in para entrar no Japão, para onde se mudou com a esposa. “Foi uma experiência curiosa e até uma novidade, pois a gente chegou esperando que seria o PCR feito com o swab. O interessante foi notar a imagem de um limão siciliano colada na parede da sala reservada para o teste, que descobrimos ser para estimular a produção de saliva”, comenta Tomasine. A exibição dessa imagem, como um estímulo para a produção de saliva, pelas autoridades nipônicas não faz parte do processo padrão de realização, mas justifica-se devido a uma característica do PCR-LAMP, que é a necessidade de salivação suficiente para coletar a amostra.


Tadeu conta que mesmo pontos turísticos badalados de Osaka estão vazios. Testagem e isolamento têm ajudado no controle da pandemia.

Créditos: Tadeu Tomasine


O PCR-LAMP funciona com a coleta de 2ml a 5ml de saliva, que é depositada num tubo coletor, o qual deve ser acondicionado em um envelope específico e encaminhado ao laboratório de referência do teste – inclusive, todas as instruções e o endereço de envio da amostra já constam no kit.


No entanto, a base da técnica de identificação do vírus é a mesma, ou seja, Reação em Cadeia da Polimerase (PCR na sigla em inglês). O PCR-LAMP é uma variação da PCR em que algumas etapas são realizadas de forma diferente – entre elas, a replicação do material genético é feito em temperatura mais baixa que na PCR convencional – simplificando o método. Esse método de detecção já é utilizado não só para o diagnóstico da Covid-19 como também para outras doenças infecciosas como dengue, zika e chikunguya. É importante ressaltar que a indicação do momento da coleta do teste é quando o paciente apresenta sintomas, assim como no RT-PCR em amostras de nasofaringe, como explica o diretor médico e infectologista Dr.Ricardo Kosop. “Qualquer método que se propõe a identificar diretamente o agente infeccioso – no caso, o vírus SARS-CoV-2 – apresenta sua melhor performance quando o paciente está sintomático, idealmente entre o 3° e 5° dias do início dos sintomas, quando a quantidade de vírus nas secreções é mais abundante”.


NOVO TESTE POSSUI LIMITAÇÕES PRÁTICAS

Assim como ocorre com outros tipos de exame, o PCR-LAMP possui determinadas condições ideais de aplicação, além das quais seu uso pode não ser tão eficaz. Um exemplo é o fato de que cerca de 80% dos pacientes com princípio da Covid-19 apresentam tosse seca (sem muco) e, uma vez que o material adequado de coleta é saliva com muco, a eficiência pode ficar comprometida.


Novo teste de saliva é coletado diretamente em um tudo especial.

Créditos: University of Utah Health


Além disso, a saliva coletada pelo paciente sem expectoração pode eventualmente apresentar uma perda de sensibilidade, ainda que seja suficiente para a realização do teste. Sensibilidade é a capacidade de um determinado exame em detectar a doença enquanto a especificidade representa a capacidade desse mesmo teste em não ficar positivo na ausência da mesma. É desejável que testes diagnósticos sejam “100%” sensíveis e específicos, mas, na prática, isso não acontece. Por isso existem situações de “falso-negativos”, ou seja, o exame vem negativo mesmo que o paciente esteja infectado. Por outro lado, “falsos -positivos” – quando o exame dá positivo ou “reagente”, mas o paciente não está com a doença – são muito mais raros com os exames para detecção do vírus SARS-CoV-2.


Para o infectologista e Diretor Médico do LabCK, Dr. Ricardo Kosop, o novo teste de saliva é confiável, porém possui uma sensibilidade menor e, por isso, com um risco mais elevado de falsos-negativos. “Do ponto de vista técnico podemos afirmar que o PCR-LAMP é um teste prático e mais acessível à população sim, porém com várias limitações que impactam em sua sensibilidade. Dentre os principais fatores, temos a própria saliva que, ao contrário das secreções respiratórias, possui diversas enzimas, DNAses, RNAses, anticorpos e outras substâncias químicas que degradam rapidamente os agentes infecciosos e seu material genético. Assim, acabam impactando na redução da sensibilidade de métodos que se baseiam na coleta deste material. Por outro lado, as secreções respiratórias - em especial o swab de nasofaringe - são amostras mais ‘puras’ e confiáveis para se trabalhar. Logo, um exame negativo pode não afastar uma infecção ativa.”


Quanto aos testes de pesquisa de antígeno viral da Covid-19, além da limitação imposta pela saliva, é o fato de se tratar de um ensaio imunocromatográfico de leitura visual, podendo ocorrer divergências nas leituras entre analistas e, se comparada a leituras realizadas por aparelhos (automatizadas), aumenta-se muito a chance de interpretações erradas. “Por conta de todas essas questões, levando-se em consideração as limitações dessas técnicas e de sua aplicabilidade relativamente limitada, tanto do PCR-LAMP quanto dos testes de antígeno realizados em saliva, nós optamos por não incluí-los em nosso portfolio de exames do LabCK. O exame padrão ouro, para nós, continua sendo o RT-PCR e, como método equivalente e mais custo-efetivo, a pesquisa de antígeno do SARS-CoV-2, ambos realizados em material de nasofaringe ”, ressalta o Dr. Ricardo.


RECOMENDAÇÕES DE APLICAÇÃO DO PCR-LAMP

Os testes de saliva apresentam seu melhor desempenho quando realizados em pacientes sintomáticos. A utilização em pacientes assintomáticos não é recomendada devido à queda da sensibilidade. Para esses casos, prevalece a recomendação de realização dos testes nasais e nasofaringe (RT-PCR e Pesquisa de Antígeno). As janelas ideais de aplicação desses testes é nos primeiros 7 dias de sintomas, idealmente entre o 3º e 5º dia.


Existem casos em que o teste PCR-LAMP traz vantagens mais perceptíveis, como é o caso da aplicação em crianças com menos de 2 anos, por exemplo, onde não se justifica o uso do swab. De todo modo, o resultado do teste deve ser sempre avaliado por um médico e em conjunto com outros dados clínicos.


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O LabCK oferece os exames RT-PCR, Pesquisa de Antígeno e testes sorológicos. Um guia explicativo sobre aplicação de cada tipo de exame pode ser conferido aqui.


Os exames de Covid-19 podem ser realizados na sede do LabCK ou pela Coleta Móvel, que cobre a área de Curitiba e região metropolitana. Para agendamento ou em caso de dúvidas, conte com a Assessoria Médica e Científica do LabCK pelo Whatsapp (41) 99992-0252.