Anemia: saiba tudo sobre seus diferentes tipos

Você provavelmente já deve ter ouvido falar que quando a pessoa está abatida, aparentando estar fraca e cansada, ela deve estar anêmica, ou que é preciso ter uma alimentação rica em ferro para não ter anemia. A anemia é uma das doenças popularmente mais conhecidas, mas o que muita gente não sabe é que ela nem sempre indica a falta de ferro ou está relacionada com a alimentação.


MAS AFINAL, O QUE CARACTERIZA A ANEMIA?

O sangue é constituído, principalmente por eritrócitos, leucócitos, plaquetas e plasma. A medula óssea é responsável, nos adultos, pela produção e liberação desses componentes na corrente sanguínea. O baço é responsável pela destruição dos eritrócitos “velhos” ou “defeituosos”, atuando assim no mecanismo natural de “reciclagem” do ferro e da hemoglobina.


O eritrócito, também conhecido como hemácia, é constituída principalmente pela proteína hemoglobina, a qual se liga de forma reversível com as moléculas de oxigênio (inaladas no pulmão). Também possui uma forma de disco bicôncavo, que a permite carregar o máximo possível de oxigênio ao mesmo tempo que transita pela corrente sanguínea com facilidade, chegando a todos os locais do organismo, mas sem a hemácia se rompa ao passar em alta velocidade pelos vasos sanguíneos até mesmo mais estreitos. A grande quantidade de ferro presente na hemoglobina também é responsável por dar cor vermelha ao sangue.


Quando estamos com baixa nos níveis de hemoglobina ou na quantidade total de células vermelhas (eritrócitos) no sangue, temos um quadro chamado de anemia.


ANEMIA NÃO É TUDO IGUAL

Ao contrário do que o senso comum diz, anemia não é uma doença única, mas um conjunto de doenças muito diferentes entre si. Existem diversos tipos de anemias, cada uma com um causas e mecanismos diferentes e, por isso, com diagnósticos e tratamentos diferentes. Por isso nem toda anemia está relacionada à alimentação e nem melhora com a mudança de hábitos alimentares.


As anemias são classificadas de diversas formas, mas em geral as classificações levam em conta dois parâmetros principais: o tempo para a sua instalação (agudas X crônicas) e o principal mecanismo envolvido (baixa produção de hemácias, perda de sangue ou por destruição das células vermelhas).


São agudas quando a queda nos níveis de hemoglobina é rápida, em horas ou dias, como quando ocorrem hemorragias (como acontece em acidentes e cirurgias) ou quando há uma destruição de várias hemácias ao mesmo tempo, como nas anemias hemolíticas. São crônicas quando a instalação leva meses ou até mesmo anos, fazendo com que as consequências dessa anemia demorem a serem percebidas pela pessoa acometida. Dentre as anemias crônicas, as mais comuns são as anemias carenciais, as hereditárias, as autoimunes, de doença crônica e as por doenças na medula óssea.


ANEMIAS CARENCIAIS

É o tipo mais comum e por isso muito conhecidas. Neste grupo estão a anemia ferropriva (por deficiência de ferro) e a anemia megaloblástica (carência de vitamina B12), mas a falta de outros nutrientes como ácido fólico ou vitamina C também podem resultar em queda nos níveis de hemoglobina.


Entre suas causas, as anemias carenciais muitas vezes estão associadas a uma dieta pobre nestes nutrientes e, por isso, a recomendação é de sempre manter uma dieta equilibrada que supra a necessidade diária de ferro e demais vitaminas. No entanto, diversas doenças que resultem numa perda contínua e mais intensa do que a capacidade do organismo absorver estes nutrientes devem ser investigados em especial nos adultos com anemia carencial. Dentre eles, a perda de sangue pelo trato gastrointestinal (como úlceras gástricas, tumores ou divertículos intestinais), sangramentos menstruais intensos e prolongados, doenças disabsortivas (como doença celíaca) e até mesmo parasitoses intestinais (verminoses) podem acabar com os estoques destes elementos fundamentais na fabricação das hemácias.


Por regra, a queda nos estoques corporais de ferro ou vitamina B12 ocorrem muito antes da anemia efetivamente ser instalada e, por isso, uma avaliação completa dessas reservas deve sempre se seguir após o diagnóstico inicial de uma anemia carencial.


ANEMIAS HEREDITÁRIAS

São causadas por alterações genéticas que são passadas dos pais para os filhos e que resultam em uma produção de eritrócitos de formatos ou composições anormais. Neste grupo as principais anemias são as talassemias e a doença falciforme, caracterizadas pela produção de formas aberrantes de hemoglobina, resultando em hemácias mais frágeis e são facilmente destruídas.


Na maioria dos casos, podem ser detectadas no nascimento ou na infância, mas muitas vezes são diagnosticadas somente na idade adulta – após anos de diagnósticos equivocados de uma “falta de ferro que nunca melhora”.


ANEMIAS AUTOIMUNES

Neste grupo de anemias, apesar de as hemácias serem saudáveis e sua produção preservada, o organismo produz anticorpos que atacam os glóbulos vermelhos, destruindo-os muitas vezes de forma rápida. Como principais exemplos temos a anemia hemolítica do Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES), a doença hemolítica do recém-nascido e as reações pós-transfusionais.


ANEMIA DE DOENÇAS CRÔNICAS

Quando o organismo está sofrendo algum tipo de inflamação, entre os diversos mecanismos ativados está o de se reduzir a disponibilidade de ferro e a velocidade com que novas hemácias são produzidas. Por isso, doenças muito distintas como câncer, infecções, doenças renais e doenças autoimunes podem ter como consequência a redução nos níveis de hemoglobina e de eritrócitos no sangue, sendo assim classificada como “anemia de doença crônica”.


ANEMIA POR DOENÇAS DA MEDULA ÓSSEA

Relativamente incomuns, doenças da medula óssea se caracterizam pela redução na produção de glóbulos vermelhos, mas também podendo acometer glóbulos brancos e plaquetas, pois todos são produzidos pela medula óssea. Como causas principais temos a exposição à radiação ionizante (como em trabalhadores expostos a produtos radioativos ou após grandes acidentes com material nuclear), quimioterapia e produtos químicos tóxicos, como inseticidas, agrotóxicos e derivados do petróleo.


MULHERES PRECISAM TER ATENÇÃO REDOBRADA

Mulheres em idade fértil e com fluxo menstrual intenso precisam ter uma atenção redobrada com sua alimentação, tendo sempre uma dieta rica em ferro para compensar a quantidade perdida no período menstrual. O mesmo vale para as gestantes, pois na gravidez o consumo de ferro e demais nutrientes é muito maior para suprir tanto a mãe quanto o bebê.


VEGETARIANOS E VEGANOS X ANEMIA

Uma dúvida comum é se os vegetarianos, que não comem carne, e os veganos, que não comem carne e produtos derivados dos animais, são mais suscetíveis a desenvolver anemias nutricionais. Apesar de, em teoria, encontrarmos todo o ferro necessário para o organismo por meio de alimentos exclusivamente vegetais, os compostos químicos naturais que fornecem o ferro em sua forma mais facilmente absorvida pelo nosso organismo são a hemoglobina e a mioglobina – não à toa, presentes em altas concentrações em carnes e outros alimentos de origem animal. Por isso, a alimentação deve ser regrada e balanceada. Preferencialmente, pessoas em dieta vegetariana ou vegana devem ter acompanhamento médico e nutricional periódicos, com o auxílio de exames laboratoriais para monitorar os níveis de ferro e vitaminas do complexo B. Caso necessário, o médico pode pedir que seja feita a suplementação de ferro ou de alguma outra vitamina que esteja deficiente, muito antes de uma anemia carencial se instalar.


SINTOMAS E SINAIS

Em geral, os principais sintomas e sinais relacionados às anemias são fraqueza, fadiga, tonturas, cansaço excessivo e dificuldades na memória e concentração, assim como a palidez na pele e mucosas. Por outro lado, dificilmente estes sintomas ocorrem em anemias em que os níveis de hemoglobina estão acima de 10 g/dL. Além do mais, outros sintomas relacionados à doença ou condição causadora da anemia podem estar associados. Como exemplos, fezes com sangue ou escuras tipo “piche” indicam, respectivamente, sangramentos de origem intestinal ou do estômago; diarreia crônica (com mais de 4 semanas de duração) podem ser indicativo de doenças disabsortivas; perda de peso ou febre podem indicar doenças causadoras de anemia de doença crônica, como câncer ou infecções (tuberculose, HIV ou malária); e queixas neurológicas como câimbras, formigamentos e falta de equilíbrio podem estar relacionadas à deficiência de vitamina B12.


O impacto da anemia também varia não só com o nível de hemoglobina como também com a velocidade com que a anemia se instala. Anemias que se instalam de forma insidiosa podem chegar a níveis críticos de hemoglobina e demorarem para serem percebidos pelo paciente, pois o organismo consegue adaptar-se de forma gradativa. de cada órgão em receber oxigênio.


DIAGNÓSTICO

O hemograma é o principal exame em que se detecta a quantidade de hemoglobina e as hemácias presentes na corrente sanguínea. Nesse exame também pode-se fazer a análise da completa da estrutura dos eritrócitos, auxiliando na melhor definição da causa da anemia.


Além do hemograma, outros exames devem ser feitos em conjunto para se investigar melhor a causa. A dosagem de ferritina, ferro sérico, vitamina B12 e ácido fólico auxilia no diagnóstico e acompanhamento das anemias carenciais; já a pesquisa de sangue oculto nas fezes permite rastrear se há algum sangramento no trato gastrointestinal. Dosagem de bilirrubina total e frações, LDH e os testes de Coombs, auxiliam na investigação das anemias hemolíticas, enquanto que a eletroforese de hemoglobina é o exame de escolha para avaliar as talassemias e a doença falciforme.


Para saber como são processados os exames feitos no setor da hematologia, assista à explicação do Dr. Cesar Kosop, Diretor Geral do Laboratório Caboracy Kosop (LabCK).



TRATAMENTO

O tratamento da anemia deve ser feito somente após a investigação da doença ou condição causadora. Muitas vezes o problema pode ser resolvido apenas com uma readequação da alimentação ou suplementação nutricional, mas somente o tratamento da causa da anemia trará um resultado efetivo e duradouro.


No entanto, confiar somente nas medidas alimentares e receitas caseiras - sem ter um diagnóstico claro e um acompanhamento médico - podem mascarar e até mesmo atrasar o diagnóstico e o tratamento adequados de doenças potencialmente graves e fatais, como é o caso dos diversos tipos de câncer, doença renal crônica ou infecções como HIV e tuberculose.


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O LabCK funciona todos os dias, inclusive aos domingos e feriados, facilitando para os pacientes que desejam ou precisam realizar exames laboratoriais. Também disponibilizamos o serviço de Coleta Móvel para Curitiba e Região Metropolitana.


Para agendamento ou esclarecimentos, contate a Assessoria Médica e Científica do LabCK pelo WhatsApp (41) 99992-0252.